Nesta terça-feira (02/10) estive novamente na Caixa Cultural, em São Paulo, para um encontro informal com o bonequeiro tcheco Pavel Truhlar e mais dois bonequeiros brasileiros. Hoje dono de uma das lojas mais conhecidas de Praga, a Marionety, Pavel faz apresentações em locais públicos e privados, ministra workshops, participa de exposições e também cuida da loja. Atualmente quem faz os bonecos é seu irmão, a quem ensinou o ofício para poder tocar os negócios.
Também estiveram nesse encontro o mestre Danilo Cavalcanti, do grupo Mamulengo da Folia e o ator e bonequeiro Paulo Carvalho, da Companhia Stromboli.
Um pouco de história
Para esquentar a conversa, Pavel começou nos contando um pouco a história do teatro de bonecos em seu país, a Repúblia Tcheca. O início se deu na primeira metade do século XVII, por influência da Itália, França e Holanda. Grupos itinerantes eram responsáveis pelos espetáculos que ganharam notoriedade entre as classes mais pobres da Boêmia (não existia ainda nem a Tchecoslováquia como estado independente), que podiam assistir as peças com bonecos devido ao custo mais acessível do que os teatros convencionais, muito mais elitistas.
Foram justamente estas companhias as responsáveis por atualizar o "povão" daquilo que acontecia nos grandes centros. Elas fazim a ponte entre a nobreza das grandes cidades e os proletários do campo, levando notícias através de peças. Com o tempo o teatro de bonecos foi ganhando notoriedade e praticamente todas as famílias mais abastadas da região da Bohemia possuiam em suas casas teatros completos, utilizados inclusive para a educação de seus filhos.
Além do carater educativo, imputa-se ao teatro de bonecos a responsabilidade pela sobrevivência do idioma tcheco. Isso se deu principalmente pelo fato da região da Boêmia ter forte influência germânica, inclusive sendo o alemão a língua oficial. No entanto, quando faziam as apresentações os atores falavam a língua do povo, o tcheco. Por isso a importância histórica dessa atividade.
Com o tempo a profissão de "gravurista" (talvez haja um termo mais adequado, mas foi essa a palavra utilizada pelo tradutor tcheco) ganha extrema importância. Assim como a maioria dos ofícios das classes mais baixas, este também é passado de pai para filho. Os gravuristas faziam trabalhos nas igrejas e palácios, entalhando móveis, portas, janelas, paredes, e as vezes faziam bonecos. As companhias de teatro mais simples faziam seus próprios bonecos, já as mais abastadas contratavma gravuristas, assim como os nobres interessados em ter marionetes em casa.
No início do século XX o teatro de marionetes era extremamente popular, mas isso nào durou muito. Após a grande guerra, quando o país se tornou comunista, houve uma grande decadência na produção dos marionetes, com artistas queimando, quebrando e jogando fora seus bonecos, peças e teatros. O teatro, tanto na sua forma tradicional como de bonecos, atualizava o povo, falava a verdade, e com o novo regime foi vítima de censura. Alguns grupos e peças com temática soviética permaneceram. Foi o suficiente para manter viva a chama da arte.
Após a revolução de 89, com a queda do muro de Berlin e um simbólico fim do comunismo a arte renasce. O Leste europeu passa a conhecer o Oeste e vice-versa. Os ocidentais passam a se interessar pelos teatros de bonecos e os gravuristas, mais do que nunca, começam a fazer bonecos para decoração e souveniers.
A esta altura, e até hoje, esta é uma profissão extremamente reconhecida no país.
Os bonecos de Pavel
Seus bonecos são todos feitos de madeira e as manoplas utilizadas para a movimentação são bem diferentes das que eu uso nos meus. O mecanismo que eu uso para a articulação e manejo dos bonecos é da escola alemã, que aprendi com minha mãe, que por sua vez aprendeu com sua irmã que trouxe a técnica da Alemanha. Pavel me disse que na República Tcheca eles usavam um sistema muito parecido até o início da década de 80 (sim, a influência alemã sempre foi muito grande naquele país), quando este foi sendo gradativamente substituido pelo atual. O pioneiro no modelo utilizado até hoje em Praga foi o professor Josef Skupa, e posteriormente Milos Kirchner, que veio a ser o diretor do teatro Spejbel a Hurvinek, nome dos personagens criados por Skupa. Quando vivo, Skupa chegou a ser preso pelos nazistas pelo seu trabalho "subversivo" e conseguiu escapar de um campo de concentração em Dresden, que estava sendo bombardeado pelas forças aliadas em 1945. Depois da fuga Skupa montou o novo teatro, Spajble a Hurvinek. No vídeo abaixo você poderá ver uma versão moderna dos famosos personagens de Skupa.
A história de Skupa me fez pensar um pouco no que Pavel me disse durante o encontro de bonequeiros, sobre a forte crítica social de algumas peças de teatro e do teatro de bonecos - "Todo mundo erra, então material para crítica social tem bastante". Isso foi quando ele foi perguntado sobre o processo criativo para a montagem das peças e dos bonecos. Parece incrível para quem não conhece Praga, a República Tcheca ou os tchecos que naquele país frio e distante haja tanta brincadeira e alegria! Sim, a alegria não é um produto exclusivo dos brasileiros, ou dos países de língua latina. Não pode ser a toa que Praga tenha se tornado a capital mundial dos bonecos!
Seja bem-vindo ao mundo dos sonhos, da magia e do encanto. Além da produção de bonecos, máscaras e outras peças artesanais, também convido você a questionar o papel da arte, da política e da sociedade. Divirta-se!
3 de outubro de 2012
Bonequeiros unidos!
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1 de outubro de 2012
A arte em estado de iminência
A Bienal de Artes de São Paulo é sempre um evento à parte. Graças ao que, na minha opinião, existe de mais sagrado no mundo das artes - a liberdade de expressão - continua sendo plural, intensa e pouco óbvia. Em sua trigésima edição, vale ressaltar a ótima proposição do tema, de uma arte em estado de iminência. É, segundo os organizadores, uma arte que acontece de novo a cada vez; que se renova sempre; que transcende intenções e programas; são obras e autores vinculadas e desvinculadas incessantemente a outras obras e outros autores, clássicos ou não. São obras em estado de espera. Pude perceber que os organizadores e a curadoria fizeram um ótimo trabalho, apresentando peças incríveis ao lado daquelas que levantam diversos questionamentos, como sempre.
Eu, particularmente, já desisti de ir a Bienal para ver tudo de uma só vez. Prefiro as doses homeopáticas - vou ao menos duas vezes - para aproveitar tudo que eu quero, pelo menos quando o evento é gratuito. Em cada visita vejo apenas a metade das obras, ou 2 dos 4 andares, com a atenção que eu acho que merecem - parando e lendo tudo que eu gosto, do começo ao fim. Quando eu canso vou-me embora para voltar outra vez e terminar, caso haja o interesse. Assim consigo me divertir ao invés de me obrigar a ver tudo de uma só vez, o que certamente transformaria a visita numa experiência autoflagelante. Todo mundo sabe chegar no Ibirapuera, ele fica numa região bem central e de fácil acesso. Por isso não é nenhum absurdo o que estou falando.
Do que eu vi nessa primeira visita vou destacar algumas peças que me chamaram atenção, e que por si só já valeriam uma visita ao pavilhão. Lembremos sempre que embora pouco conhecidos do grande público, alguns dos expositores são artistas de canxa, de muita estrada, e as obras apresentadas não são exatamente novidade, e sim instalações, peças ou performances consagradas. O que de forma nenhuma tira o mérito ou a justificativa de sua presença, muito pelo contrário, ressaltam o bom trabalho da curadoria, principalmente quando associados ao tema proposto. Vale a pena conferir, e não é só porque é de graça!
É o caso por exemplo da instalação do PPPP (Productos Peruanos Para Pensar), um coletivo peruano formado por um homem só, Alberto Casari. Seus alter egos – o escritor e poeta visual Alfredo
Covarrubias, os pintores Arturo Kobayashi e El Místico e o crítico de
arte Patrick Van Hoste – produzem materiais assinados pela logomarca da
empresa. Na instalação intitulada: "Esta indescritível sensação marinha", sete telas em branco são dispostas uma ao lado da outra. Os materiais utilizados para a pintura? Água do mar sobre tela. Numa tentativa de atingir uma arte "realista" e questionar o que o termo poderia significar (o que pode representar melhor o mar do que uma tela banhada com suas águas?), a sala dedicada ao PPPP apresenta ainda outras peças que completam seu raciocínio. Uma série de 7 caixas para o transporte de obras de arte vazias, bem como outras 7 telas explicando como foi o processo de montagem e a ideia do coletivo. Na parede a inscrição: "Se são artes visuais, porque os artistas fazem coisas que nos obrigam a ficar lendo?".
Eu, particularmente, já desisti de ir a Bienal para ver tudo de uma só vez. Prefiro as doses homeopáticas - vou ao menos duas vezes - para aproveitar tudo que eu quero, pelo menos quando o evento é gratuito. Em cada visita vejo apenas a metade das obras, ou 2 dos 4 andares, com a atenção que eu acho que merecem - parando e lendo tudo que eu gosto, do começo ao fim. Quando eu canso vou-me embora para voltar outra vez e terminar, caso haja o interesse. Assim consigo me divertir ao invés de me obrigar a ver tudo de uma só vez, o que certamente transformaria a visita numa experiência autoflagelante. Todo mundo sabe chegar no Ibirapuera, ele fica numa região bem central e de fácil acesso. Por isso não é nenhum absurdo o que estou falando.
Do que eu vi nessa primeira visita vou destacar algumas peças que me chamaram atenção, e que por si só já valeriam uma visita ao pavilhão. Lembremos sempre que embora pouco conhecidos do grande público, alguns dos expositores são artistas de canxa, de muita estrada, e as obras apresentadas não são exatamente novidade, e sim instalações, peças ou performances consagradas. O que de forma nenhuma tira o mérito ou a justificativa de sua presença, muito pelo contrário, ressaltam o bom trabalho da curadoria, principalmente quando associados ao tema proposto. Vale a pena conferir, e não é só porque é de graça!
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| Alberto Casari na produção da obra "Esta indescritível sensação marinha" |
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| Jiří em performance nas ruas |
Outro artista que fiquei muito feliz em ver na Bienal foi o tcheco Jiří Kovanda, que desde a década de 70 vem produzindo um exame sobre a vida cotidiana e sua normatização. Sua obra trata das relações interpessoais - é efêmera, humorada e pode ser tão sutil que passa despercebida pelo transeunte. Na minha opinião as suas experiências mais interesantes, apresentadas na Bienal deste ano, foram: Numa escada rolante o artista ficou parado em um degrau de frente para as pessoas atras dele, encarando-as olhos nos olhos; Ao transitar pela rua Kovanda esbarrava propositalmente nas pessoas; Em um ambiente fechado e com grande circulação de pessoas Jiří atravessou a sala se esgueirando pelas paredes; Recolhia o lixo das ruas, como bitucas de cigarro, com as próprias mãos e depois jogar tudo no chão novamente.
Vá a Bienal e veja as peças, depois volte aqui e deixe seu comentário!
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| Colagem de Ilene Segalove exposta na 30a Bienal |
Uma novidade para mim foi conhecer a artista norte-americana Ilene Segalove. Gostei particularmente do seu humor seco, da ironia em suas obras e é claro, da crítica social. A artista produz colagens e fotomontagens, questionando o potencial das
artes para mudança social e seu papel como entretenimento sofisticado.
Nos últimos anos, produziu trabalhos que destacam histórias de vida das
mulheres.
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| O Taiwanês Tehching Hsieh bate ponto em performance |
E por fim, para não me extender muito, vou citar apenas mais um artista de destaque, o Taiwanês radicado em Nova Iorque, Tehching Hsieh. Suas peças intituladas One Year Performance, produzidas a partir do final da década de 70/começo de 80, dão o que falar. Na primeira delas o artista permaneceu trancado em uma cela dentro do seu estúdio por um ano. Em outras experiências ficou um ano amarrado a uma mulher, sem poder tocá-la; um ano sem poder acessar ambientes cobertos e assim por diante. Na imagem você vê o artista na performance em que durante um ano batia ponto, com foto de hora em hora.
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30 de setembro de 2012
Gepetos de Praga
| Cartaz com modelos antigos de marionetes |
No último sábado (29/09) estive na Caixa Cultural, no centro de São Paulo, para a abertura da exposição Gepetos de Praga - A arte viva das marionetes da República Tcheca. Com mais de 120 peças de artistas clássicos e contemporâneos, a exposição evidencia um pouco porque a cidade de Praga, na República Tcheca, é considerada a capital mundial dos bonecos.
Além da técnica incrível na confecção dos bonecos (usualmente feitos de madeira), vale a pena prestar atenção também nas montagens que os tchecos fazem de algumas óperas, e no refinamento conferido à cenografia, montagem de palco, iluminação.....um espetáculo à parte!
A curadoria preparou também palestras e workshops, para a capacitação de educadores, abertos ao público e com assentos reservados aos espectadores em ordem de chegada. Estes eventos serão na próxima quarta-feira (03/10), um as 10hs e outro as 16hs. Parece interessante, já que não são muitas as atividades envolvendo a confecção e utilização de bonecos por estas bandas.
Então fica aí a minha dica, espiar um pouco a exposição Gepetos de Praga. Se você tiver filhos pequenos então, não pode perder! os bonecos exercem um fascínio muito especial nas crianças, leve-as e você verá!
Com produção artística de Pavel Truhlar, produção de Paula Carneiro e Andrea Lika Kikkawa, produção/tradução de Pavel Slovacek a exposição fica aberta de terça a domingo, das 09h as 21h, até o dia 02 de dezembro. A Caixa Cultural São Paulo fica na Praça da Sé, 111, São Paulo, centro.
Fica aqui minha sugestão para que você entre nesse universo. Como foi muito bem colocado por Clóvis Arruda (Terra a Vista), no texto de abertura da exposição - "não paramos de brincar porque envelhecemos, envelhecemos porque paramos de brincar".
DIVIRTA-SE!!
O vídeo apresentado na exposição mostra um pouco a confecção de um boneco de Praga. Ele é tão lindo que eu postei em junho de 2011 no Mefistófilis Belzebu, assim que o vi pela primeira vez. Recomendo a visualização!!!
| O rebuscado palco de uma das peças tchecas |
| Simpático robô, simples mas muito bem acabado |
| Boneco com fisionomia realista - perfeição |
| Simpática coleção de pequenos bonecos articulados |
| Mais um rico trabalho na confecção dos bonecos e do palco |
Se preferir, veja no link abaixo a matéria da Globonews sobre essa exposição!
Globonews em pauta
(eu até tentei inserir o vídeo, mas como é do site da Globo fica bloqueado)
Outra matéria, essa do SPTV
6 de setembro de 2012
Lula marionete!
Recentemente recebi uma encomenda curiosa: fazer um boneco do Lula!
Sim, esse Lula mesmo, ex-presidente da República, ex-sindicalista, ex-metalúrgico e atualmente uma das figuras mais importantes da política nacional.
A minha merchand (no caso a pessoa que encomendou essa maluquice) se disse fã do personagem. Eu cá também tenho uma certa admiração pela história do Luis Inacio, assim como todos os feitos alcançados por ele e pelo país durante sua gestão enquanto presidente desse nosso Brasil. Mas deixemos os ideais políticos a parte e lembremo-nos do personagem.
Quando recebi essa encomenda, um filme do Lula me passou na cabeça. O filme se passou de trás pra frente. Os fatos mais recentes vieram primeiro e os anteriores se sucederam até a lembrança mais remota (pelo menos para mim, que tenho meus 30 e poucos anos), do Lula sindicalista, no palanque, discursando entusiasmado em São Bernardo do Campo.
É claro que foi esta imagem, do sindicalista discursando para milhares de operários, foi a mais marcante. Pronto, aí estava o meu personagem! O Lula a ser "embonecado" tinha que ser o sindicalista, e assim foi!
Seguem abaixo algumas fotos, espero que vocês gostem!
Este boneco mede cerca de 90 cm; tem estrutura de madeira; enchimentos; rosto, pés e mãos de papel maché; roupas de tecido; 17 fios e manoplas que proporcionam a movimentação individual de cada parte do corpo;
Sim, esse Lula mesmo, ex-presidente da República, ex-sindicalista, ex-metalúrgico e atualmente uma das figuras mais importantes da política nacional.
A minha merchand (no caso a pessoa que encomendou essa maluquice) se disse fã do personagem. Eu cá também tenho uma certa admiração pela história do Luis Inacio, assim como todos os feitos alcançados por ele e pelo país durante sua gestão enquanto presidente desse nosso Brasil. Mas deixemos os ideais políticos a parte e lembremo-nos do personagem.
Quando recebi essa encomenda, um filme do Lula me passou na cabeça. O filme se passou de trás pra frente. Os fatos mais recentes vieram primeiro e os anteriores se sucederam até a lembrança mais remota (pelo menos para mim, que tenho meus 30 e poucos anos), do Lula sindicalista, no palanque, discursando entusiasmado em São Bernardo do Campo.
É claro que foi esta imagem, do sindicalista discursando para milhares de operários, foi a mais marcante. Pronto, aí estava o meu personagem! O Lula a ser "embonecado" tinha que ser o sindicalista, e assim foi!
Seguem abaixo algumas fotos, espero que vocês gostem!
Este boneco mede cerca de 90 cm; tem estrutura de madeira; enchimentos; rosto, pés e mãos de papel maché; roupas de tecido; 17 fios e manoplas que proporcionam a movimentação individual de cada parte do corpo;
| Os pés do operário - de botas! |
| Rosto do Lula, ainda sem o acabamento final - trabalho especial na barba e cabelos (foi dificil viu??) |
| O boneco pronto, sentado no canto da mesa - pensativo! |
30 de agosto de 2012
Boneco miniatura
Medindo aproximadamente 30cm, estes bonecos são articulados por dois, três ou quatro fios. A sua cabeça é de madeira, e corpo pode ser feito do mesmo material, ou até de pano, no estilo "fantasminha".
Como são feitos sob encomenda, os bonecos podem ser produzidos de forma caricatural, a semelhança do personagem ou pessoa escolhida.
Como são feitos sob encomenda, os bonecos podem ser produzidos de forma caricatural, a semelhança do personagem ou pessoa escolhida.
| Boneco modelo "fantasminha" |
18 de junho de 2012
De onde vem a inspiração?
Esse é um tema engraçado, que ouço muita gente discutir (se referindo a grandes artistas, autores de obras diferenciadas ou pessoas com o pensamento fora da curva). A idéia que boa parte da nossa sociedade carrega e difunde é que determinada pessoa foi "abençoada" com o dom da criatividade. É como se tudo que ela estudou, viveu, praticou, trabalhou, observou e assimilou ficassem em segundo plano, incumbindo alguma entidade divina de todo o seu sucesso. Peraí né? Eu não caio nessa!!!
Nesse contexto, sempre tem um personagem (sim, porque a nossa sociedade é uma grande peça de teatro) que lança alguma pergunta mais ou menos assim:
- "Porra, mas e o Mozart? Ele, tinha o dom! O cara compunha aos 5 anos de idade!"
ou mesmo:
- "Cara, o Picasso era gênio, isso é indiscutível!"
Então vamos aos fatos
- A familia do pai de Mozart era composta por muitos cantadores e artistas, enquanto a família da mãe era burguesa de classe média. O próprio pai do jovem "prodígio" era um músico experiente, e famoso violinista (tá acompanhando?). Notadamente desde pelo menos os 4 anos de idade, Mozart era submetido a uma intensa rotina de estudos e árduo trabalho em frente aos teclados. A dedicação à música, tão cobrada pelo pai, seria uma marca registrada para o resto da vida do compositor.
- O caso do Picasso é um pouquinho mais dificil de entender, mas vai por essa linha. O pai era desenhista e pintor (pronto, já começou!) e, apesar do pouco talento, certamente influenciou muito na orientação do filho, já que muitas vezes pedia para que o pequeno Pablo finalizasse seus quadros. Na família da mãe também havia pelo menos dois pintores. O pai ainda era professor de desenho e conservador do museu da cidade onde moravam (Málaga).
É evidente que não se pode resumir a trajetória de grandes artistas como os citados acima a estas experiências pontuais. Sem dúvida o contexto social, político e econômico em que viveram, as experiências dentro e fora de casa, a dedicação e em muitos casos a paixão pelo que faziam, também foram importantes na construção dos "gênios". Sem levar estes fatores em consideração, parece que sempre buscamos uma explicação sobrenatural para as questões que não sabemos explicar. Parece que Deus, ou uma figura religiosa equivalente, ganha força mesmo entre os ateus quando se trata de nomes como Mozart ou Picasso. Não acredito que seja bem por aí, prefiro entender o ambiente em que estavam inseridos e o modo como foram criados; o ponto fora da curva realmente existe, mas seu mérito está mais próximo daquele que o conquistou do que das forças sobrenaturais.
E o que isso tem a ver com um blog de marionetes? Não sei, mas que o exemplo desses caras serve para muitos artistas e artesões, isso serve! Sempre busco referências para meus trabalhos, e elas não podiam ser outras senão aqueles que estiveram na vanguarda, artistas que contestaram o establishment, que evocaram o novo, que quebraram paradigmas a muito incrsutrados nas sociedades em que viviam. É preciso estudar muito sim, conhecer a sua própria história, a politica e a sociedade em que você está inserido, bem como as transformações que outros artistas foram capazes de realizar e como fizeram, o ambiente que os modelou e que eles modelaram, e que você pode vir a fazê-lo um dia.
Em termos mais genéricos, é possível afirmar que a arte está intimamente ligada as transformações sociais e políticas dos últimos séculos. Nesse sentido, ela ganhou um grande inimigo: o conceito do belo. Mas isso já é uma outra história......
Nesse contexto, sempre tem um personagem (sim, porque a nossa sociedade é uma grande peça de teatro) que lança alguma pergunta mais ou menos assim:
- "Porra, mas e o Mozart? Ele, tinha o dom! O cara compunha aos 5 anos de idade!"
ou mesmo:
- "Cara, o Picasso era gênio, isso é indiscutível!"
Então vamos aos fatos
- A familia do pai de Mozart era composta por muitos cantadores e artistas, enquanto a família da mãe era burguesa de classe média. O próprio pai do jovem "prodígio" era um músico experiente, e famoso violinista (tá acompanhando?). Notadamente desde pelo menos os 4 anos de idade, Mozart era submetido a uma intensa rotina de estudos e árduo trabalho em frente aos teclados. A dedicação à música, tão cobrada pelo pai, seria uma marca registrada para o resto da vida do compositor.
- O caso do Picasso é um pouquinho mais dificil de entender, mas vai por essa linha. O pai era desenhista e pintor (pronto, já começou!) e, apesar do pouco talento, certamente influenciou muito na orientação do filho, já que muitas vezes pedia para que o pequeno Pablo finalizasse seus quadros. Na família da mãe também havia pelo menos dois pintores. O pai ainda era professor de desenho e conservador do museu da cidade onde moravam (Málaga).
É evidente que não se pode resumir a trajetória de grandes artistas como os citados acima a estas experiências pontuais. Sem dúvida o contexto social, político e econômico em que viveram, as experiências dentro e fora de casa, a dedicação e em muitos casos a paixão pelo que faziam, também foram importantes na construção dos "gênios". Sem levar estes fatores em consideração, parece que sempre buscamos uma explicação sobrenatural para as questões que não sabemos explicar. Parece que Deus, ou uma figura religiosa equivalente, ganha força mesmo entre os ateus quando se trata de nomes como Mozart ou Picasso. Não acredito que seja bem por aí, prefiro entender o ambiente em que estavam inseridos e o modo como foram criados; o ponto fora da curva realmente existe, mas seu mérito está mais próximo daquele que o conquistou do que das forças sobrenaturais.
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| A Guernica é uma das obras mais famosas do pintor Espanhol. Inspirada na guerra é um exemplo do engajamento social e político de um grande artista |
E o que isso tem a ver com um blog de marionetes? Não sei, mas que o exemplo desses caras serve para muitos artistas e artesões, isso serve! Sempre busco referências para meus trabalhos, e elas não podiam ser outras senão aqueles que estiveram na vanguarda, artistas que contestaram o establishment, que evocaram o novo, que quebraram paradigmas a muito incrsutrados nas sociedades em que viviam. É preciso estudar muito sim, conhecer a sua própria história, a politica e a sociedade em que você está inserido, bem como as transformações que outros artistas foram capazes de realizar e como fizeram, o ambiente que os modelou e que eles modelaram, e que você pode vir a fazê-lo um dia.
Em termos mais genéricos, é possível afirmar que a arte está intimamente ligada as transformações sociais e políticas dos últimos séculos. Nesse sentido, ela ganhou um grande inimigo: o conceito do belo. Mas isso já é uma outra história......
Máscara bipolar!
Quem viu a última máscara que eu fiz e postei por aqui irá perceber que a da foto abaixo é muito parecida. De fato ela é mesmo, já que usei o mesmo molde para produzi-la. Claro que o acabamento é diferente: seus desenhos e cores - isso porque me recuso a fazer duas máscaras iguais, por mais que alguns clientes chorem!
Meus motivos são óbvios:
- quem compra uma máscara artesanal quer ter um produto exclusivo, seu, que ninguém tem igual;
- produção em série é chato para caramba, acaba com o processo criativo e emburrece;
- copiar não é comigo - claro que eu não invento tudo da minha cabeça, muitas vezes peças conhecidas e bem-feitas servem de base, inspiração, mas nunca serão "clonadas". Pego os modelos e dou um toque especial, se possível de acordo com o gosto do cliente e a "viagem" que estiver rolando na minha cabeça naquele momento;
Nesse caso específico, uma pessoa viu a última máscara que eu postei e me pediu que fizesse uma igual! A idéia de um rosto chorando e sorrindo ao mesmo tempo parece agradar bastante, acho que todo mundo deve passar por isso diariamente. Eu topei fazer a mesma máscara, mas deixei claro: o desenho será outro, e expliquei minhas razões.
Eis que ela está aí. Nesse caso eu mesmo me vesti com ela, que apesar de ser mais comumente utilizada como enfeite, também compõe um belo personagem para as festas a fantasia, já que são leves e confortáveis.
Fica a imagem abaixo para seu deleite:
Meus motivos são óbvios:
- quem compra uma máscara artesanal quer ter um produto exclusivo, seu, que ninguém tem igual;
- produção em série é chato para caramba, acaba com o processo criativo e emburrece;
- copiar não é comigo - claro que eu não invento tudo da minha cabeça, muitas vezes peças conhecidas e bem-feitas servem de base, inspiração, mas nunca serão "clonadas". Pego os modelos e dou um toque especial, se possível de acordo com o gosto do cliente e a "viagem" que estiver rolando na minha cabeça naquele momento;
Nesse caso específico, uma pessoa viu a última máscara que eu postei e me pediu que fizesse uma igual! A idéia de um rosto chorando e sorrindo ao mesmo tempo parece agradar bastante, acho que todo mundo deve passar por isso diariamente. Eu topei fazer a mesma máscara, mas deixei claro: o desenho será outro, e expliquei minhas razões.
Eis que ela está aí. Nesse caso eu mesmo me vesti com ela, que apesar de ser mais comumente utilizada como enfeite, também compõe um belo personagem para as festas a fantasia, já que são leves e confortáveis.
Fica a imagem abaixo para seu deleite:
| Sei que eu não sou muito bonito, mas com essa máscara da pra encarar vai? |
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